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Formação e Influências do Português Brasileiro — Entrevista com Caetano Galindo

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Идеи
história do portuguêslínguas geraisinfluência indígenainfluência africanalinguística históricafonética brasileira

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Основные идеи

6
  • O português falado no Brasil tem uma história social complexa e é resultado de contatos com línguas indígenas e africanas.
  • Durante longos períodos coloniais, línguas gerais (Nheengatu e Língua Geral Paulista) foram as línguas de fato em grandes regiões do território brasileiro.
  • A uniformidade do português brasileiro é notável dada a extensão do país, mas esconde variações e um passado multilíngue.
  • Marcas estruturais e fonéticas do português brasileiro (ex.: R retroflexo, preferência por estruturas CV) podem ter origem em línguas indígenas e africanas.
  • O português moderno deriva de formas populares e escritas “tortas” do latim — o 'latim em pó' — transmitidas por falantes não eruditos.

Важные моменты

6
  • Entrevista com Caetano Galindo, autor de 'Latinho em Pó: Um Passeio pela Formação do Nosso Português'.
  • Existência e papel das línguas gerais (Nheengatu e Língua Geral Paulista) como línguas francas coloniais.
  • Impacto demográfico (por exemplo, repressão da Cabanagem) e migrações internas na quase eliminação do Nheengatu no Norte.
  • Influências lexicais indígenas e africanas concentradas em flora, fauna, ritos religiosos e culinária, mas também evidentes em traços estruturais da fala.
  • Discussão sobre fonética característica (R caipira/rótico retroflexo) e preferência por estruturas silábicas CV no português brasileiro.

Термины

6
Nheengatu / Língua Geral — Língua geral de origem tupi usada como língua franca no Norte do Brasil durante a colonização.
Língua Geral Paulista — Variante de língua geral, originada do tupi, predominante no litoral de São Paulo e eliminada por políticas coloniais no século XVIII.
Rótico retroflexo (R caipira) — Realização do fonema /r/ no interior do Brasil, sugestiva de influência indígena regional.
CV (estrutura silábica) — Padrão consoante-vogal; o texto aponta preferência por sílabas CV em línguas indígenas e africanas e seu reflexo no português brasileiro.
Proto-Indo-Europeu — Língua reconstruída hipotética, ancestral comum das línguas indo-europeias (latim, grego, sânscrito, etc.).

Основное содержание

8 глав · 18:35
0:16

1. Introdução: a viagem pela formação do português

Спикер B0:16

O estado da arte de hoje passeia por algo comum a todos os programas anteriores. E isso acontece porque aquilo que falamos, lemos, escrevemos e ouvimos também são fruto da nossa língua portuguesa que usamos no dia a dia.

E como o programa de hoje é uma homenagem a essa companhia, às vezes discreta, mas que faz questão de nos acompanhar em tudo o que fazemos, que tal dar uma olhada para os caminhos que a nossa língua portuguesa tomou ao longo da história e que segue em movimento ainda hoje? Então, venham com a gente, porque agora começa a nossa viagem pela formação do nosso português.

É, isso mesmo. Se usamos a língua de uma determinada forma, é porque ela tem uma história, uma construção social que segue os usos que nós fazemos dela. E justamente para entender mais por onde passou o nosso português e para que direções ele caminha, é que contamos no programa de hoje com a visita do Caetano Galindo, professor do Departamento de Literatura e Linguística aqui da UFPR, tradutor e escritor do livro "Latinho em Pó: Um Passeio pela Formação do Nosso Português", editado pela Companhia das Letras, que é um verdadeiro sucesso de vendas.

O Caetano será o nosso anfitrião e, na primeira pessoa, vai nos mostrar como a linguística, que é a ciência da linguagem e que se dedica ao estudo dos idiomas humanos, é capaz de mapear e até mesmo de rastrear a origem exata das palavras que usamos todos os dias.

Mas, pra gente aquecer os motores, dá pra começar pelo título. Por onde exatamente nós podemos achar o latim em pó?

2:09

2. Origem do título e tributo pessoal ("Latinho em Pó")

Спикер A2:09

O título foi a primeira coisa que apareceu. E, bom, ele vem da música do Caetano Veloso, que é uma música que tá na minha cabeça desde que ela apareceu. A gente cresce com Caetano Veloso, com Chico Buarque; a gente cresce com uma coisa que já existia, né? Mas essa música a minha geração viu aparecer e a gente viu o impacto que ela causou, e ela ficou na minha cabeça durante décadas.

Na hora que eu sentei pra escrever esse livro, eu abri o documento, a primeira coisa que eu escrevi foi "Latinho em Pó". E depois eu decidi o que ia acontecer a partir dali. Tô meio que pagando um tributo também, né? Meu pai é baiano. Meu pai... Eu nasci em 73. O disco "Araçá Azul", que o Caetano lançou no começo de 73, tá fazendo 50 anos agora. Eu faço 50 anos em outubro. E meu pai tava sob o impacto daquele disco maluco e passou por cima de uma promessa que minha mãe tinha feito de dar o nome do irmão pro filho, e passou por cima do fato de que ele é um super fã de Chico Buarque e acabou me chamando de Caetano. Por causa disso. Então, pra mim, não deixa de ser uma espécie de tributo.

Спикер B3:11

O livro "Latin in Pó" também paga um tributo à nossa língua portuguesa, aos seus usos e formas que, ao longo da história, forjaram uma identidade única do português que é falado por aqui e que tem grandes diferenças do português de Portugal e das variantes faladas na África e na Ásia.

3:30

3. Uniformidade do português no Brasil e seus percalços históricos

Спикер B3:30

E um detalhe que chama atenção é como, num país desse tamanho, nós falamos basicamente uma língua uniforme, ainda que com variações e sotaques, mas que falantes do Oiapoque ao Chuí conseguem compartilhar sem maiores problemas.

Uma história que não deixa de ser marcada de percalços, como acontece nos países de colonização, como o Brasil.

Спикер A3:50

O fato do Brasil ser um país desse tamanho que fala basicamente um único idioma, e mais interessante ainda, um país em que quase todo mundo só fala este idioma, é uma exceção muito considerável entre os grandes países do mundo e entre os países do mundo, ponto.

E a história de como ele se transformou nesse lugar razoavelmente único é uma história cheia de percalços. Apesar dessa coisa linda de falarmos todos português, etc., etc., essa história não foi nada tranquila.

4:23

4. Línguas gerais e o bilinguismo no Brasil colonial

Спикер A4:23

Durante bastante tempo do período de colonização do Brasil, como eu costumo dizer para os alunos em sala de aula, se alguém viesse para uma bolsa de apostas sobre o futuro linguístico desse país, dessa então colônia, seria muito pouco provável que a pessoa apostasse no futuro do português como a grande língua desse lugar.

Спикер B4:39

Por trás dessa razoável uniformidade no português do Brasil, vale dizer que, durante o século 18 até meados da primeira metade do século 19, o país tinha pelo menos duas línguas gerais que funcionavam realmente como as línguas francas em diferentes partes do território brasileiro.

Спикер A4:58

Foram desenvolvidas aqui duas, ao menos duas línguas gerais, que eram línguas desenvolvidas a partir das línguas originárias brasileiras, de línguas da família do tupi. Nos dois casos, uma no litoral de São Paulo e uma na região norte do país.

E essas línguas, durante muito tempo, foram as verdadeiras línguas brasileiras, as línguas que a população daqui usava, as línguas em que as crianças eram criadas quando aprendiam a falar. Isso se serviu, ou isso decorreu também do fato de que os casais interraciais mais comuns no período do Brasil Colônia eram de mulheres indígenas e homens europeus, e as mães é que têm um papel mais forte na criação dos filhos, ainda mais naquele tipo de mundo, e também na criação linguística dos filhos.

Isso acabou gerando uma situação em que, com o passar do tempo, parecia surgir um futuro possível para essa colônia de um lugar de bilinguismo, pelo menos, com o português numa posição de língua oficial do Estado, língua de administração, mas essas línguas gerais na posição de língua real da população.

Спикер B6:04

Digamos que o nosso português atendia, na época, pelos nomes de Engatu e de Língua Geral Paulista.

Спикер A6:11

Uma razão da gente não ver tanto se falar disso é que a gente, eu, você, foi criado e educado na parte centro-sul do Brasil. Se você foi criado no norte do Brasil, você estuda uma história do Brasil ligeiramente diferente. Se você foi criado no Nordeste, se você foi criado em Itaparica, você estuda coisas da história do Brasil que a gente às vezes varre mais rápido pra baixo do tapete.

Num certo sentido, nós somos a parte vitoriosa dessa equação unificadora, colonial, paulista, grosso modo. Do Brasil. O Nyaengatu, o que veio a ser chamado posteriormente de Nyaengatu, que quer dizer língua boa em tupi, era uma dessas línguas gerais. Era a língua geral do Norte, que teve grande trânsito em toda a colonização do Brasil na região Norte, especialmente nesse momento, como você falava, em que a administração da colônia foi efetivamente dividida entre dois vicerreinos, dois estados diferentes, e que continuou em uso muito vigorosamente.

Bem além do século 18, enquanto a língua geral paulista foi eliminada a partir de meados do século 18, do Diretório dos Índios, das ações do Marquês de Pombal, por exemplo, no Norte isso demorou muito mais a acontecer. A demografia era mais rala, a penetração do aparato colonial era menor. Aliás, o Norte ainda é em grande medida um Brasil não penetrado, não descoberto, e tomara que permaneça assim durante muito tempo.

O que aconteceu de demograficamente relevante lá teve a ver com o ciclo da borracha, teve a ver com várias coisas, mas teve bastante a ver com a repressão à revolta da cabanagem. Os cabanos, que dão nome à revolta, eram gente do estrato menos favorecido da sociedade, majoritariamente ou quase totalmente falantes de Nhengatu. E essas pessoas foram absolutamente massacradas e chacinadas em uma proporção absurda durante a repressão à revolta.

Isso alterou a demografia da região inteira. Foi preciso importar brasileiros do Nordeste, de outras regiões, para refazer a população de uma região que tinha ficado praticamente despovoada. E nesse processo, o efeito colateral foi a quase eliminação do Nyaengatu, porque as pessoas que vieram agora eram pessoas falantes de português, eram pessoas falantes desse português africanizado, desse português assimilado pelos escravizados e que chegaram trazendo esse novo patrimônio.

8:33

5. Marcas indígenas e africanas no português brasileiro

Спикер B8:33

Bem, agora vai ficando um pouco mais claro e evidente que o nosso português tem um DNA indígena e africano que deixou marcas definitivas na forma como falamos hoje, e não apenas nas palavras que dão forma ao nosso vocabulário.

E aqui vale um mergulho numa herança muitas vezes apagada, mas que é tão presente e comum em nosso cotidiano.

Спикер A8:55

Africano, grosso modo, no português do Brasil, você vai chegar à conclusão que existem muitas palavras, mas que essas palavras são quase todas ligadas ao mundo específico dessas culturas. São termos para fauna e para flora nacional, no caso das línguas indígenas brasileiras, são termos para os ritos afro-brasileiros, para o culto, para a religião, para a culinária, no caso das línguas especialmente do mundo yorubá, do mundo nagô, na Bahia.

Mas você não tem uma penetração ao longo de todo o vocabulário da língua. O nosso vocabulário é muito uniformemente europeu, latino e derivado das mesmas fontes do que o vocabulário de Portugal. No entanto, acontece uma coisa curiosa, que é que existem certas marcas da estrutura do português brasileiro que a gente tem dificuldade para explicar. E cada vez mais surgem possibilidades, hipóteses de explicação, essas marcas que têm a ver com o aprendizado dessa língua pelos indígenas ou pelos africanos.

Há coisas como, por exemplo, a prevalência do dito rótico retroflexo, do R caipira, como se costuma dizer. De onde surge esse R? Porque ele existe justamente numa região do Brasil que foi a região de prevalência da Língua Geral Paulista. O que está em jogo ali? Esse R vem de uma língua indígena? Vem de uma língua originária? Vem do tupi? A hipótese mais claramente estudada hoje.

Por que a gente tem essa tendência a pronunciar sílabas que são compostas só de consoante e vogal? A gente não gosta de encontros consonantais no Brasil. A gente tem problema pra falar "problema", porque tem dois encontros consonantais um do lado do outro. A gente diz "fazer", "comer" e "cantar", em vez de dizer "fazer", "comer" e "cantar". E essas coisas todas batem com a estrutura silábica, de certa forma também do tupi, mas batem com a estrutura silábica das línguas do umbundo e do quimbundo, por exemplo, línguas de Angola que vieram também para essa região do Brasil.

Então a gente de repente começa a encontrar marcas ou explicações para marcas do português brasileiro que vão muito além.

11:02

6. Latim em pó: o latim popular e a formação das línguas românicas

Спикер B11:02

E como não poderia deixar de ser, o português do Brasil, assim como as demais línguas latinas, é uma resultante curiosa de como outros povos falavam um latim diferente daquele dos registros escritos, em que novas línguas vão sempre nascendo e se desenvolvendo em um determinado lugar, numa dada faixa de tempo.

Спикер A11:23

A ideia de um idioma, português, francês, wolof, navarro, o que quer que seja, é uma abstração. É uma abstração que é congelada no tempo e artificialmente separada no espaço.

Se você olha pra realidade, o português, pra ficar só no nosso exemplo, nunca para de se modificar. Ele é uma realidade em permanente alteração, impossível de se captar numa realidade estática. A gente finge que isso é possível na hora que a gente vai escrever uma gramática, vai fazer um comentário sobre a língua.

E se você olha no espaço, o português brasileiro, por exemplo, o meu é diferente do teu, o teu é diferente do dele. O nosso é diferente de uma pessoa 100 km daqui, que dirá 3.000 km daqui. É um conjunto de variedades.

Спикер B12:13

O nosso latim ancestral é, na verdade, um latim estropiado. Mesmo o português, na sua forma mais culta e engravatada, veio de um latim já em pó, que era independente da sua variante oficial e escrita.

Спикер A12:27

Essa ficha caiu pra mim que, em 1993, cursando Linguística 1, no curso de Letras, quando o professor José Luiz Mercer, cuja cadeira eu hoje ocupo, ele dava um exemplo ótimo. Ele dizia: se a gente teletransportasse o Cícero, o escritor romano clássico, padrão de latim elegante, para uma cidade brasileira de hoje, ele ia primeiro ficar sem entender nada, ficar meio chocado. Passado algum tempo, ele ia dizer: meu, esse pessoal tá falando um latim horroroso!

Basicamente, o que a gente fala é um latim muito podre, um latim muito distorcido. E isso, como você disse, mesmo a versão mais engravatada, mais séria do português, é nada mais, nada menos do que latim torcido, espremido, mastigado e cuspido. É latim em pó, é latim pulverizado. A verdadeira massa dos falantes do latim, em qualquer período da história de Roma e do Império Romano, falava versões erradas do latim, falava versões populares, atrapalhadas, estropiadas, mastigadas. E foram essas pessoas que legaram o latim para as gerações futuras.

Isso pode parecer retórica, pode parecer um exercício mental, mas a gente consegue provar isso muito facilmente. Se você fizer detalhadamente as derivações das palavras românicas até encontrar a raiz latina, você quase invariavelmente não vai bater numa raiz que tá no dicionário. Você vai bater numa raiz torta, errada, desviada, que, no entanto, você encontra nos documentos das pessoas com menos alfabetização. Você encontra quando os dramaturgos escreviam uma comédia e queriam imitar um personagem mal educado. A gente sabe que esse latim ruim, entre muitas aspas, existia. E a gente sabe que ele é a fonte do que a gente fala. A gente e todo mundo que aprendeu alguma outra língua românica.

14:19

7. Reconstrução linguística e o Proto-Indo-Europeu

Спикер B14:19

E se falamos em ancestralidade, qual seria a origem do próprio latim? Há quem diga que ele tenha uma origem única e compartilhada com o grego e até mesmo com o sânscrito. Essas são questões que a linguística vem resolvendo progressivamente e sendo capaz de dar voz a línguas já mortas e sem registros por escrito.

Спикер A14:40

Bom, o dele é ancestral de todos os idiomas do mundo. Provavelmente, é um só, ou um conjunto de dialetos muito próximos desenvolvidos lá na África subsaariana, numa janela de tempo que a gente não consegue determinar ainda muito bem. A gente trabalha ainda com uma janela muito larga para essa origem da linguagem.

No caso das línguas europeias, do português, por exemplo, essa história que eu estava citando era justamente a história da hipótese dessa língua-mãe comum para vários idiomas europeus e para vários idiomas de fora da Europa, como, por exemplo, o persa, o farsi antigo, ou o sânscrito, como você mencionou. Isso era um trabalho que vinha sendo desenvolvido por bastante gente, mas que costuma ser simbolizado na história da linguística por essa conferência de um juiz britânico na Índia, no final do século 18, em que ele formaliza essa hipótese de que essas línguas, o latim, o grego, o sânscrito, e ele já levanta a bola, provavelmente, às línguas célticas, às línguas germânicas, também façam parte dessa sacola, de que essas línguas todas seriam inter-relacionadas e que elas derivariam de uma mesma língua que estava perdida.

Esse ancestral comum é essa língua que a gente chama de Proto-Indoeuropeu. A gente chama esse tronco de Indo-Europeu e o ancestral de Proto-Indoeuropeu provavelmente era um idioma ou um conjunto de dialetos de um mesmo idioma, versões de um mesmo idioma, que teria sido falado no que seria hoje o território da Ucrânia e que se espalhou posteriormente por essas duas regiões. É uma história que eu acho linda, cara. É uma história que eu acho linda porque, sei lá, a história do progresso científico, num certo sentido, é sempre a história de descobrir uma técnica que me permita conhecer uma coisa que antes dessa técnica era totalmente inacessível. E a gente vê isso acontecer na linguística no século 18, fundamentalmente, quando as pessoas começam a perceber que é possível, e para isso as línguas românicas, as línguas derivadas do latim, tiveram um papel muito importante, porque elas são muito bem conhecidas, muito bem estudadas, e o latim é uma língua muito conhecida, muito bem estudada.

Se eu pego várias palavras de idiomas românicos diferentes, que têm formas diferentes, e comparo com a raiz latina que originou essas palavras, eu começo a entender certas regularidades. Eu começo a entender que o português faz isso, o espanhol faz aquilo, o italiano faz aquilo com este som, por exemplo, com este tipo de sílaba, com esse tipo de construção. Mas o poder realmente dessa coisa vem quando você começa a usar esse sistema ao contrário. E as pessoas começaram a fazer isso, praticar muito esse método na linguística românica, inclusive, mas começaram a levar isso para famílias maiores e famílias que não tinham um ancestral conhecido.

E aí, de repente, a gente se viu sendo capaz de prever com alguma estabilidade formas linguísticas que desapareceram 5, 7 mil anos atrás, antes de deixar marca na escrita, antes de deixar qualquer registro que a gente pudesse acessar. A gente desenvolveu uma ferramenta superpoderosa de reconstruir o que parecia impossível: a fala de pessoas mortas milhares de anos antes do surgimento da escrita. E isso permitiu reconstruir todo um passado de todo um tronco de línguas da Europa e também supor migrações, parentescos entre povos, ligações entre culturas muito antes da arqueologia científica aparecer, muito antes da genética aparecer. A linguística conseguiu fazer isso só com livros, ouvido, bom senso e muito trabalho. Eu acho isso, eu acho um dos capítulos mais bonitos da história da linguística.

18:25

8. Conclusão e convite aos ouvintes

Спикер B18:25

E vocês, o que acharam do passeio de hoje pelo nosso Brasil, pelos caminhos dessa língua portuguesa que é tua, que é minha, é nossa?

Diz aqui pra gente nos comentários.

O Estalo da Arte vai ficando por aqui e até a próxima!